O VERDADEIRO Menino Maluquinho, a inspiração de Ziraldo

14 ago
Lá estava eu, um garotinho por lá de seus 6 anos de idade, em um dia maravilhosamente ensolarado em Maringá.
Estava em casa brincando com minha cadela quando minha mãe me chama para acompanha-la até a casa da visinha. Insisti para ficar em casa mas não teve jeito. Minha mãe me conhece, se eu tivece ficado em casa, sozinho, provavelmente eu teria subido no telhado, tacado fogo em algo ou quebrado metade da casa. No decorrer da história vocês verão que nenhum desses atos se comparam com o desastre dessa ida até a casa da vizinha.
Fomos até la para minha mãe emprestar uma panela de pressão, dai enquanto íamos embora, minha mãe resolve parar para conversar com uma vizinha na rua (já era outra vizinha, mas todas as vizinhas do mundo estão nessa estória). Sabe como é, cidade pequena, começo dos anos 90, rua tranquila de bairro, todo mundo ta sempre por ali, sempre prontos pra conversar ou xeretar!
Enquanto minha mãe conversava eu pedi a panela de pressão para brincar. Até para uma criança, criativa como eu era, não era fácil de achar algo para brincar com uma panela de pressão. Então tive a genial idéia de usa-la como capacete! QUE MASSA! Entrava certinho na minha cabeça!
Bom, após algum tempo tirando e colocando ela na minha cabeça, ela começou a dar umas entaladas até que uma hora entalou de vez. E para o meu azar, não foi com a cabeça para o lado de fora e sim, com a cabeça dentro da panela, cabeçudo!
Fiquei quietinho ali, no canto, com a panela intalada na cabeça, para minha mãe não perceber a cagada.
Mas mãe que é mãe, principalmente mãe de filhos como eu, SEMPRE sabem que agente aprontou, exatamente por ficarmos quietos, nos entregamos.
Minha mãe é super calma e discreta, sorte minha!
Ela começou a gritar a pleno pulmão e entre gritos e respiradas dava saltos de dois metros de altura e com ela, tentava levar a panela enrroscada na minha cabeça, com isso eu ia junto, para cima e para baixo.
Mas é claaaaro, que naquela rua tranquila e pacata, a tal rua que citei logo antes, das vizinhas que estão sempre por ali e mais prontas para um bafafa do que para cuidar de suas próprias vidas, todo aquele alvoroço fez com que em segundos, dezenas, centenas, milhares de mulheres aparececem para ver o que acontecia e para tentar ajudar. Brotou mulheres do bueiro, decima das árvores, cairam de para-quedas, vieram por de cima dos muros e se teletransportaram até ali.
E eu coitado, tudo que podia ver eram milhares de pés através da fresta entre a panela e meu rosto. E se elas eram mil e eu via dois mil pés, eu ouvia trinta mil vozes pois estava com a cabeça dentro de uma perfeita caixa sonora com incrível capacidade de amplificar sons! Era como estar com a cabeça dentro de um sino de igreja! Malditas leis da acústica!
Acho que depois de algum tempo, minha mãe deve ter percebido que a panela não iria a nenhum lugar que eu não fosse junto e que a qualquer momento até a imprensa poderia aparecer por ali, dai imagina o vexame! Pois ela resolveu entrar para dentro de casa. Logo atraz  dela e de mim, seguia a comitiva de mulheres malditas.
Dentro do conforto da minha própria casa eu achei que minha situação iria melhorar. Como eu estava enganado!
Da mesma forma que todas essas mulheres brotaram de tudo quanto é canto, milhares de sabonetes, latas de óleo, cremes hidratantes, solventes foram aparecendo também. Porque algum gênio ali teve a brilhante idéia de lubrificar minha cara, ou seja, melecar minha cabeça inteira com tudo que se tem direito para ver se a panela deslizaria para fora.
Eu queria encontrar a tal mente brilhante hoje e enfiar a PO#$A da panela na cabeça dela e fazer exatamente a mesma coisa para ver se ela ia gostar da idéia! É CLARO QUE NÃO IA FUNCIONAR! ANIMAL!
De tanto todo mundo puxar a panela, minha cabeça tinha inchado. Tinha ficado provavelmente como a cabeça daqueles ETs de filme. Não teria óleo Singer que faria aquela panela sair da minha cabeça.
Bom, muito tempo depois, que para mim já pareciam dias, elas pararam de me lambuzar e de puxar a panela e ficaram conversando, para ver o que fariam, se me levariam para o pronto-socorro, se chamariam o mecânico da esquina pra cortar a panela no meio com um maçarico ou se fariam dois furinhos na frente da panela para eu poder ver e viver assim para sempre.
Um bom tempo se passou e um anjo apareceu. Um anjo chamado Marluce.
Lá estava eu ali sentado na beiradinha da cadeira balançando os pés destraidamente, pensando em sei lá o que, quando vejo um par de pés se aproximando e derrepente com uma pequena pressão, PUFFF. A panela sai da minha cabeça!
A maritacaiada toda ficou perplexa! Como? Elas tentaram de tudo, quase separaram minha grande cabeça do meu pequeno corpinho e nada!
Então Marluce, o anjo alado, explicou que achou que provavelmente naquele momento, que eu estava mais tranquilo e em repouso, minha cabeça poderia ter desinchado o suficiente para poder tirar a panela. Um gênio!
A mulherada depois de gritar Urras para Marluce e apertar minha buchecha foram todas embora, já não tinha mais nada para se fazer ali e poderia ter outras crianças em apuros por ai para elas irem gralhar emcima.
E la ficaram uma panela de pressão, mãe e um garoto por debaixo de uma espessa camada de substâncias pegajozas com um vergão de fora a fora na circunferência da cabeça.

Sempre me pergunto, Ziraldo passou por ali? Ou uma das maritacas era conhecida dele? Ou melhor (e mais provável), a má notícia se espalhou tanto e para tão longe que virou boa notícia e caiu nos ouvidos de Ziraldo como uma luva e ele criou um dos mais inusitados personagens da literatura brasileira atual!

EU SOU O VERDADEIRO MENINO MALUQUINHO!

Contos e Causos Ruano
Mentiras com uma pitada de verdade!

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7 Respostas to “O VERDADEIRO Menino Maluquinho, a inspiração de Ziraldo”

  1. Fernanda agosto 14, 2011 at 10:31 pm #

    Ri horrores com a história mor, e lembrei da sua mãe e da sua tia contando ashaushauhsauhs

  2. Anônimo agosto 15, 2011 at 2:14 am #

    Eu queria ouvir a sua versao sobre essa estoria e voce me suspreendeu, o resultado foi genial.

  3. kaalissa agosto 15, 2011 at 9:16 am #

    kkk…quase mijei de tanto rir…..muito bom!!!!!a parte da mulherada é 100% verdade…kkkk
    MARLUCE, MARLUCE!!!!!!

  4. cezar agosto 28, 2011 at 1:48 am #

    É BRUNO
    TEM COISAS QUE ACONTECEM NA VIDA DA GENTE QUE ATE DEUS SE ASSUSTA…..
    VÉIO, COITADA DA SUA MAE,
    ELA SOFREU NA SUA MAO
    MAS ACHO que hoje ela da umas boas risadasssssssssss

  5. michelle outubro 19, 2011 at 10:06 am #

    eu gostei da historia do menino maluquinho

  6. adna março 26, 2012 at 8:06 pm #

    como é seu nome menino maluquinho
    ,

  7. Anônimo dezembro 29, 2013 at 1:23 pm #

    esse é meu neto querido te amo menino maluquinho

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